Membros da ASLI participam do Encontro Internacional da Universa Laus
Entre os dias 6 e 10 de julho, São Paulo (SP) sediou o Encontro Internacional da Associação Universa Laus de Música Litúrgica, reunindo liturgistas, músicos e pesquisadores de diversos países para refletir sobre a inculturação da música na celebração da fé.
14.07.2026 - 20:12:00 | 3 minutos de leitura

Por Pe. Jair Oliveira Costa
Entre os dias 6 e 10 de julho, São Paulo (SP) sediou o Encontro Internacional da Associação Universa Laus de Música Litúrgica, reunindo liturgistas, músicos e pesquisadores de diversos países para refletir sobre a inculturação da música na celebração da fé.
Fundada pelo renomado músico e liturgista Joseph Gelineau, a Universa Laus é uma associação internacional dedicada ao estudo e à promoção da música litúrgica em sintonia com a renovação proposta pelo Concílio Vaticano II. Esta foi a primeira vez que o encontro internacional da entidade aconteceu na América Latina.
Participaram do evento os membros da Associação de Liturgistas do Brasil (ASLI), Pe. Jair Oliveira Costa, Caetana Cecília Filha e Pe. Márcio Pimentel. Também estiveram presentes integrantes da Equipe de Reflexão para a Música Litúrgica da Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB, entre eles Márcio Almeida e Frei Joaquim Fonseca. Além dos participantes presenciais, o encontro contou com ampla participação on-line de liturgistas e músicos provenientes do Brasil, Inglaterra, França, Eslováquia, Suíça, Áustria, República Democrática do Congo, Vietnã e Bélgica.
O tema central do encontro foi "A inculturação da música litúrgica", desenvolvido à luz dos principais documentos do Concílio Vaticano II, especialmente a Sacrosanctum Concilium, a Lumen Gentium e a Gaudium et Spes. Em sua conferência, Pe. Márcio Pimentel destacou que a verdadeira renovação da música litúrgica exige o conhecimento e a vivência dos princípios conciliares, de modo a favorecer a participação plena, consciente e ativa do povo de Deus por meio do canto. Ressaltou ainda que a proposta conciliar ultrapassa o âmbito musical, expressando uma renovada compreensão da própria vida da Igreja.
As conferências apresentaram experiências concretas de inculturação desenvolvidas em diferentes contextos culturais, como na República Democrática do Congo, no Vietnã e na Áustria. Representando o Brasil, Frei Joaquim Fonseca apresentou uma proposta de inculturação para a música das exéquias inspirada nas tradições culturais do Vale do Jequitinhonha (MG), evidenciando a riqueza das expressões populares na celebração da esperança cristã.
As reflexões evidenciaram que a inculturação da música litúrgica encontra seu fundamento no mistério da Encarnação: assim como o Verbo de Deus assumiu a condição humana, também a liturgia é chamada a acolher e transfigurar as expressões culturais dos povos, discernindo nelas os elementos compatíveis com o Evangelho e integrando-os harmoniosamente à celebração da fé.
Além das conferências, o encontro foi marcado por momentos de convivência fraterna e celebrações realizadas em diversas línguas — português, inglês, francês e alemão —, proporcionando aos participantes a experiência concreta de um verdadeiro louvor universal, no qual a unidade da liturgia da Igreja se manifesta na riqueza da diversidade cultural e linguística.
Ao término do encontro, os participantes reafirmaram a importância de compreender a inculturação da música litúrgica a partir do mistério da Encarnação, reconhecendo a liturgia como espaço privilegiado de comunhão, acolhimento e diálogo entre os povos. Destacaram ainda que a diversidade das culturas constitui um dom para a Igreja, enriquecendo a música litúrgica e fortalecendo a experiência de fé das assembleias cristãs em todo o mundo.
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