Ite ad Ioseph (Gn 41, 55): Nota sobre o culto litúrgico a São José

Ite ad Ioseph (Gn 41, 55)

Nota sobre o culto litúrgico a São José


São José é reconhecido mundialmente como o guardião dos mais preciosos tesouros de Deus: o Seu Filho, a Bem-Aventurada Virgem Maria e a Igreja. O seu culto litúrgico, todavia, não é antigo. Registrado em outras tradições litúrgicas a partir do século X, entra na liturgia da Igreja de Roma cinco séculos depois, estendendo-se até os nossos dias. Muito apreciado pelo nosso povo, especialmente por meio dos atos de devoção popular, São José ocupa um lugar importante também na liturgia. Essa nota tem por objetivo apresentar, antes de tudo, as datas fundamentais da história do culto litúrgico de S. José na Igreja do Rito Romano e, depois, discorrer “brevissimamente” sobre o Próprio como se apresenta nos atuais livros litúrgicos (Missal/Lecionário, Liturgia das Horas, Martirológio e Calendário).


História do culto litúrgico


Como já evidenciado, o culto litúrgico em honra de São José é tardio; nasce no século XV e tem o seguinte desenvolvimento:


1479 O Papa Sixto IV (1471-1484) introduziu a festa para toda a Igreja, inserindo-a no Missal e no Breviário.

08.05.1621 O Papa Gregório XV (1621-1623) declarou de preceito a festa de São José.

06.12.1670 O Papa Clemente X (1670-1676) elevou a festa à categoria de “Festa dupla de segunda classe”.

04.02.1714 O Papa Clemente XI (1700-1721) aprovou os textos do Próprio para a Missa e para o Ofício.

19.12.1736 O Papa Bento XIII (1758-1769) introduziu o nome de S. José na Ladainha de todos os santos.

10.09.1847 Por meio do Decreto Inclytos Patriarcha Joseph, o Papa Pio IX (1846-1878) estendeu a Festa do Patrocínio de S. José a toda a Igreja, assinalando-a para o III Domingo depois da Páscoa.

08.12.1870 Por meio do Decreto Quemadmodum Deus, da Congregação dos Ritos, o Papa Pio IX (1846-1878) declarou S. José Patrono Universal da Igreja.

07.07.1871 Por meio da Carta apostólica Inclytum Patriarcham o Papa Pio IX (1846-1878), reconhece a S. José o direito de ser celebrado com um culto superior aos outros santos.

18.03.1909 Por meio de decreto da Sagrada Congregação dos Ritos, o Papa Pio X (1903-1914) aprova a Ladainha em honra de S. José.

01.11.1911 O Papa Pio X (1903-1914), por meio da Bula Divino Afflatu, transfere a Memória do Patrocínio de S. José do III Domingo depois da Páscoa para a quarta-feira sucessiva.

09.04.1919 Por meio de decreto da Sagrada Congregação dos Ritos, o Papa Bento XV (1914-1922) aprovou e introduziu o Prefácio próprio para as Missas de S. José, tanto festivas, quanto votivas.

23.02.1921 O Papa Bento XV (1914-1922) introduziu o nome de S. José na oração “Bendito seja Deus” da adoração eucarística.

26.10.1921 Por meio de decreto da Sagrada Congregação dos Ritos, o Papa Bento XV (1914-1922) estendeu para toda a Igreja a Festa da Sagrada Família, instituída por Leão XIII (1878-1903).

01.05.1955 O Papa Pio XII (1939-1958) propõe S. José como modelo e patrono dos operários. Transfere a Memória do Patrocínio de S. José para o dia 10 de maio e muda o seu título, denominando-a Memória de São José Operário.

24.04.1956 A Sagrada Congregação dos Ritos aprova os textos litúrgicos a serem inseridos no Missal e no Ofício da Memoria de S. José Operário.

19.03.1961 O Papa João XXIII (1958-1963) nomeia S. José patrono do Concílio Vaticano II.

21.11.1964 Sob o pontificado do Papa Paulo VI (1963-1978), o Concílio, por meio do n. 50 da Constituição Lumen Gentium, acolhe a inserção do nome de S. José no Cânon Romano. 

2011 O Papa Bento XVI (2005-2013) expressa à Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos o desejo de inserir o nome de S. José nas outras Orações Eucarísticas.

01.05.2013 Sob o pontificado do Papa Francisco (2013-2025) por meio de decreto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos o nome de S. José foi inserido nas Orações Eucarísticas II, III e IV.

01.05.2021 O Papa Francisco (2013-2025) insere sete (7) novas invocações na Ladainha de S. José.


Eucaristia


Missale Romanum ex decreto Sacrosancti Oecumenici Concilii Vaticani II instauratum auctoritate Pauli PP. VI promulgatum Ioannis Pauli PP. II cura recogitum, editio typica tertia emendata. Città del Vaticano: Typis Polyglottis Vaticanis 2008, 734-737. 750-751. 1180-1181.


Missal Romano reformado por decreto do Concílio Ecumênico Vaticano II e promulgado por autoridade de S. S. o Papa Paulo VI e revisto por S. S. o Papa João Paulo II. Tradução portuguesa da terceira edição típica realizada e publicada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil com acréscimos aprovados pela Sé Apostólica, CNBB, Brasília 2023, 606. 688-691. 706-708. 1155-1157.


No Missal Romano restaurado por vontade dos Padres do Concilia Vaticano II, com terceira edição latina publicada em 2002, com reimpressão emendada em 2008, traduzido e em uso no Brasil desde 2023, encontramos três formulários “josefinos” de Missa e um prefácio. São eles: São José, Esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria, Solenidade, dia 19 de março (MR2023, p. 688-691); São José Operário, Memória facultativa, dia 1° de maio (MR2023, p. 706-708); Missa votiva de São José (MR2023, p. 1155-1157) e Prefácio “A missão de São José” (MR2023, p. 606, 707, 1156).

Os textos eucológicos têm a seguinte procedência: 19 de março: São José, Esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria, Solenidade: Coleta: nova composição; Sobre as oferendas: Missale Parisiense (1738) 2499; Depois da comunhão: Ve 419; GeV 1340; MR1570, 2249.476.2132; MR1962 327.1700.2307 \\ 10 de maio: São José Operário, Memória facultativa: Coleta: MR1962 2483; Sobre as oferendas: Próprio Belga 1.10; Depois da comunhão: MR1962 1768 \\ Missa votiva de São José: Coleta: MR1962 4565; Sobre as oferendas: Corpus praefationum 353; Depois da comunhão: nova composição (Lc 1, 75; Mt 1, 19; Pv 21, 28) \\ Prefácio “A missão de São José”: nova composição.

Ligada diretamente a São José é a “Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José”, celebrada no domingo dentro da Oitava do Natal, ou no dia 30 de dezembro (MR2023, p. 134). Fontes eucológicas: Coleta: nova composição (cf. MR1952 507); Sobre as oferendas: MR1952 821; Depois da comunhão: MR1952 956


Lecionário


Missale Romanum ex decreto Sacrosancti Oecumenici Concilii Vaticani II instauratum auctoritate Pauli PP. VI promulgatum, Ordo Lectionum Missae editio typica altera, Typis Poliglottis Vaticanis, Città del Vaticano 1981.

Como previsto nos Praenotanda, para os Domingos e Solenidades, no Lecionário, preveem-se três leituras; a primeira, veterotestamentária, a segunda, do Apóstolo e a terceira, do Evangelho. O objetivo é de sublinhar tanto a unidade dos dois testamentos, quanto a sua harmonia (cf. ILM 66-67). Para a Solenidade do dia 19, as leituras, com os devidos cânticos interlecionais, apresentam-se assim distribuídas: 


I Leitura 2Sm 7,4-5a.16: “O Senhor lhe deu o trono de Davi, seu pai”.

Sl. Responsorial Sl 88,2-3.4-5.27.29: R (37): “Eis que a sua descendência durará eternamente.

II Leitura Rm 4,13.16-18.22: “Esperou contra toda esperança”.

Aleluia Sl 83, 5: “Felizes os que habitam a vossa casa, Senhor, para sempre haverão de vos louvar.

Evangelho Mt 1,16.18-21.24a: “José fez como o anjo do Senhor lhe tinha mandado.

Ou: 

Lc 2, 41-51a: “Teu pai e eu te procurávamos aflitos”.


Para a celebração da Memória, propõe-se a possibilidade de escolha para a primeira leitura do Antigo ou do Novo Testamento, os cânticos interlecionais e um texto evangélico. Uma rubrica adverte: “O Evangelho dessa memória é próprio”.


I Leitura Gn 1,26 – 2,3: “Povoem a terra e a dominem”.

Ou:

Cl 3,14-15.17.23-24: “Tudo o que fizerem, façam de coração, assim como o Senhor faz aos homens”.

Sl. Responsorial Sl 89,2.3-4.12-13.14.16: R (17c) “Fazei dar fruto o labor de nossas mãos” ou Aleluia.

Aleluia Sl 67,20: “Bendito seja o Senhor todos os dias; Deus, nossa salvação, leva nossos fardos”.

Evangelho Mt 13,54-58: “Não é este o filho do carpinteiro?”.


Para a Missa votiva, uma rubrica do Ordo indica que se tomam os textos da Solenidade ou da Memória (OLM 1004).


Liturgia das Horas


Officium Divinum ex decreto Sacrosancti Oecumenici Concilii Vaticani II instauratum auctoritate Pauli PP. VI promulgatum, Liturgia Horarum iuxta ritum romanum II: Tempus Quadragesimae, Sacrum Triduum Paschale, Tempus Paschale, editio typica altera, Libreria Editrice Vaticana, Città del Vaticano 2000, 135-13-64.1425-1431.


A Liturgia das Horas apresenta textos para as duas celebrações, a saber, a Solenidade, do dia 19 de março e a memória, do dia 10 de maio.


A Solenidade


I VÉSPERAS: Hino: Te, Ioseph, celebrent (LH, p. 355); as três Antífonas são próprias: Iacob genuit Ioseph, Missus est angelus e Cum esset desponsata; os Salmos e o Cântico são do Comum dos Santos Homens, a saber: Sl 112 e 145, Ct Ef 1,3-10; a Leitura Breve: Cl 3,23-24; o Responsório Breve, previsto tanto para o Tempo da Quaresma, quanto para o Tempo da Páscoa, é um versículo de Os 14,5: “O justo florescerá como lírio”; a Antífona do Magnificat, “Eis o servo fiel e prudente”, é baseada em Lc 12,42 e Mt 24,45-47; as Preces, cinco intercessões, são dirigidas a Deus, o Pai, de cujo nome deriva “toda paternidade no céu e na terra”. Depois do Pai nosso, segue a Coleta. 


OFÍCIO DAS LEITURAS: A antífona do invitatório, “Louvemos a Cristo Senhor na Solenidade de São José”, é o responso do Sl 94. O Hino: Iste, quem laeti (LH, p. 357); as Antífonas são próprias: Angelus Domini apparuit, Exsurgens Ioseph a somno e Ascendit Ioseph a Nazareth; os salmos são do Comum dos Santos Homens: Sl 20,2-8.14 e 91, I e II; o Versículo retoma o Responsório Breve do Ofício Vespertino. A leitura bíblica é da Carta aos Hebreus (11,6-16) e o seu Responsório prolixo é constituído de dois textos neotestamentários: Rm 4,20.22 e Tg 2,22; a segunda leitura é tirada de um sermão de São Bernardino de Sena (Sermão 2, sobre S. José: Obra 7,16.27-30) e o Responsório prolixo do texto do livro do Eclesiástico 5,2-3. É previsto o canto do Te Deum.


LAUDES: Hino: Caelitum, Ioseph (LH, p. 358); Antífonas próprias: Venerunt pastores festinantes, Erant Ioseph et Maria e Consurgens Ioseph accepit puerum; os Salmos e o Cântico são do domingo da I semana do Saltério: Sl 62,2-9, Ct Dn 3,57-88.56 e Sl 149; a Leitura Breve é do segundo livro de Samuel 7,28-28; o Responsório Breve (tanto para o Tempo da Quaresma, quanto para o Tempo da Páscoa), Constituit eum, é baseado no Sl 104,21, referindo-se a José do Egito e aplicada a São José, segundo a tipologia clássica; a Antífona do Benedictus é uma adaptação do texto de Mt 2,23, “E foi morar numa cidade chamada Nazaré, para se cumprir o que foi dito por meio dos profetas: ‘Ele será chamado nazareno’”; as Preces são constituídas de quatro aclamações dirigidas a Deus, o Pai, com um forte toque de eclesiologia. Depois do Pai nosso, segue a Coleta.


HORAS MENORES: Também as Horas Menores dispõem de tudo próprio: TERÇA: Antífona: Ibant parentes Iesu; Leitura Breve: Pr 2,7-8; o Versículo retoma o Responsório Breve do Ofício matutino. SEXTA: Antífona: Cum redirent, rimansit puer; Leitura Breve: Sb 10,10; o Versículo é do Sl 111,3: “Glória e majestade estão em sua casa, e a sua justiça permanece para sempre”. NOA: Antífona: Non invenietes Iesum; Leitura Breve: Eclo 2,18-19; o Versículo é do Sl 20,6: “Grande é a sua glória, devida à vossa proteção; vós o cobristes de majestade e esplendor”.


II VÉSPERAS: para o Hino repete-se o das I Vésperas; as três Antífonas são próprias: Invenerunt Iesum parentes, Dixit mater Iesu e Descendit iesus cum eis; os Salmos e o Cântico são do Comum dos Santos Homens, a saber: Sl 14 e 111, Ct Ap 15,3-4. Tudo o mais como nas I Vésperas.

Os hinos foram todos composto pelo Cardeal Jerônimo Casanate († 1700). As antífonas, tanto da Solenidade, quanto da Memória, são todas de nova composição, tomadas dos Evangelhos da infância de Mateus e Lucas.


A Memória


OFÍCIO DAS LEITURAS: Prevê-se a Antífona própria, com aleluia, para o Salmo invitatorial (Sl 94); Hino: Te, pater Ioseph (LH, p. 370) de Evaristo de Antuérpia († 1968); a segunda leitura é da Constituição Gaudium et spes (n. 33-34): “Sobre o empenho humano no mundo”; o Responsório prolixo é um versículo tirado do livro do Gênesis 2,15.


LAUDES: Hino: Aurora solis nuntia (LH, p. 371); a Leitura Breve, o Responsório Breve e as Preces são todas da Solenidade


II VÉSPERAS: os textos previstos (Hino, Leitura Breve, Responsório Breve e Preces) são os mesmos da Solenidade.


Martirologio


Martyrologium Romanum ex decreto Sacrosancti Oecumenici Concilii Vaticani II instauratum auctoritate Ioannis Pauli PP. II promulgatum, editio typica altera, Typis Vaticanis, Città del Vaticano 2004, 196.263.


Duas são as modalidades de formas rituais propostas para a leitura do Martirológio a primeira na Liturgia das Horas (Laudes ou numa Hora menor) e a segunda fora da Liturgia das Horas. A leitura se faz sempre no dia precedente (Int. Mart. 35), numa celebração comunitária (Int. Mart. 36). Quando celebrada durante o Ofício da manhã segue a seguinte sequência: Oração conclusiva da Hora; Anúncio do dia sucessivo e proclamação da Sentença; Versículo; Leitura breve (ad libitum) com aclamação “Palavra do Senhor”; Bênção própria e Despedida “Ide em paz”. Durante uma Hora menor: Oração conclusiva da Hora; Leitura da Sentença; Versículo; Aclamação “Bendigamos ao Senhor” ou Bênção e Despedida. A celebração fora da Liturgia das Horas tem a mesma estrutura de quando se celebra nas Laudes. Segundo a tradição o anúncio das Sentenças pode ser cantado com as melodias assinaladas no livro (p. 71-74) ou com melodias de nova composição. Os Ordines se encontram às páginas 29-31.


O elogio para a Solenidade:


Sollemnitas sancti Ioseph, sponsi beatissimae Virginis Mariae, qui, vir iustus, ex stirpe David ortus, parentis loco fuit Filio Dei Christo Iesu, qui filius Ioseph voluit appellari et ei subditus esse sicut filius patri. Ecclesia speciali honore patronum veneratur, quem Dominus constituit super familiam suam.


O elogio da Solenidade, na sobriedade própria do seu estilo, sublinha em primeiro lugar o papel de São José na história da salvação: esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria e pai adotivo do Filho eterno do Pai, depois o coloca em linha de continuidade com os patriarcas veterotestamentários e, finalmente, faz memória do seu patronato, identificando a igreja como “sua família”.


O elogio para a Memória:


Sancti Ioseph opificis, qui, faber Nazarenus, labore suo Mariae et Iesu necessitatibus subvenit et Filium Dei ad hominum labores initiavit. Propterea, quo die labor multis in oris terrarum commemoratur, christiani operarii eum exemplar et protectorem venerantur.


O elogio da Memória se concentra sobre o tema da operosidade de São José para o sustento da sua família, apresentando-o também como o iniciador do Filho de Deus no mundo do trabalho humano. Na segunda parte, o elogia recorda que “no dia em que se celebra o Dia do Trabalho em muitas partes do mundo, os trabalhadores cristãos o veneram como seu exemplo e padroeiro”.


Calendário


Calendarium Romanum ex Decreto Sacrosancti Oecumenici Concilii Vaticanii II instauratum auctoritate Pauli PP. VI promulgatum, Typis Polyglottis Vaticanis, Città del Vaticano 1969,


As Normas do Ano Litúrgico, ao tratar do dia próprio das celebrações, recorda que “A solenidade de São José (19 de março), ocorrendo no Domingo de Ramos da Paixão do Senhor, onde é dia de preceito, será antecipada para o sábado precedente, dia 18 de março. Onde não é dia de preceito, pode ser transferida pela Conferência Episcopal para outro dia fora da Quaresma” (p. 20). Quanto à memória do dia 10 de maio, ao tratar da diminuição das festas de devoção, justifica a sua permanência “por causa da classe dos trabalhadores (operariorum) cristãos” (p.67).

Na sessão relativa aos comentários ao novo calendário, recorda que o dia 19 de maio já aparecia em muitos calendários ocidentais, a partir do século X, como dia reservado à memória litúrgica de São José. Recorda a sua recepção na Igreja de Roma e a sua inserção no Calendário romano e, por fim, repete o quanto já dito sobre a possibilidade de transferência, operada pelas Conferências Episcopais (p. 89). Depois de comentar a motivação de Pio XII em celebrar São José Operário a 10 de maio, adverte que, por causa do fato que em muitos países, o trabalho é celebrado em outra época do ano, considerou-se melhor que no dia 10 de maio fosse realizada apenas uma comemoração ad libitum do patrono dos trabalhadores (p. 92).

Ao tratar das variações introduzidas no calendário romano, recorda que o dia 19 de março é imutável, todavia, as Conferências Episcopais, para salvaguardar o Tempo santo da Quaresma, podem transferi-la para outro dia, fora do tempo quaresmal (p. 119). Sobre o dia 10 de maio adverte a mudança de grau da celebração de Solenidade a Memória ad libitum (p. 121).


Ladainha


«Lettera ai presidenti delle Conferenze dei Vescovi circa nuove invocazioni nelle litaniae in onore di San Giuseppe (10 maio 2021)», Notitiae 57 (2021) 228-230.


No dia 10 de maio de 2021, durante o ano especial de celebração do jubileu de ouro da proclamação de São José como Patrono Universal da Igreja, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos fez conhecer a vontade do Papa Francisco de inserir na Ladainha em honra do santo esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria e pai adotivo do Senhor Jesus, novas invocações retiradas do magistério pontifício que nesse período pós-conciliar iluminou a compreensão da pessoa e da missão de São José na Igreja e na historia da salvação.

São elas: “Custos Redemptoris” (Guardião do Redentor – cf. São João Paulo II, Exortação Apostólica Redemptoris custos); “Serve Christi” (Servo de Cristo – cf. São Paulo VI, homilia de 19 de março de 1966, citada em Redemptoris custos, 8 e Patris corde, 1); “Minister salutis” (Ministro da salvação – cf. São João Crisóstomo, citado em Redemptoris custos, 8); “Fulcimen in difficultatibus” (Apoio nas dificuldades – cf. Francisco, Carta Apostólica Patris corde, prólogo); “Patrone exsulum, afflictorum, pauperum” (Padroeiro dos Exilados, Padroeiro dos Aflitos, Padroeiro dos Pobres – Patris corde, 5).

A Carta adverte ainda que “Será tarefa das Conferências episcopais providenciar à tradução das Ladainhas nas línguas da sua competência e publicá-las; estas traduções não precisarão da confirmação da Sé Apostólica. De acordo com o seu juízo prudente, as Conferências episcopais poderão introduzir também, no lugar oportuno e preservando o género literário, outras invocações com que São José é particularmente honrado nos respetivos países”.


Conclusão


O culto litúrgico prestado a Deus, o Pai, por meio de Jesus Cristo, no Espírito Santo, reservou sempre uma atenção especial àqueles que se tornaram “sócios” da Trindade para que se levasse a cabo o desejo último do Pai de “que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm 2,4). Ocupa um lugar de máxima importância a Bem-Aventurada Virgem Maria e o seu esposo, São José, na qualidade de pai adotivo do Verbo eterno feito carne. Essa pequena nota nos faz perceber o apreço que a Igreja dispensa ao seu padroeiro. Um estudo dos textos eucológicos e do Lecionário seria por demais enriquecedor, podendo melhorar a qualidade da nossa devoção e das suas manifestações, em detrimento do que nos ensina a Igreja:


É necessário organizar essas práticas tendo em conta os tempos litúrgicos, de modo que se harmonizem com a sagrada Liturgia, de certo modo derivem dela, e a ela, que por sua natureza é muito superior, conduzam o povo (SC 13).


São José, rogai por nós!


Para aprofundar, cf. M. BARBA, «Cum beato Ioseph eius sponso», Ephemerides Liturgicae 127 (2013) 129-152; M. RIGHETTI, Manuale di storia litúrgica, vol. II: L’anno ecclesiastico, Ancora, Milano 1953 445-448; A. ADAM, L’anno litúrgico. Celebrazione del mistero di Cristo, LDC, Leumann (Torino) 1948, 238.


Dom Jerônimo Pereira, osb

Monge beneditino do Mosteiro de São Bento de Olinda

Presidente da ASLI


 
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