A QUARESMA COMO ITINERÁRIO DE CONVERSÃO: SINAIS, SILÊNCIO E PEDAGOGIA LITÚRGICA DO DESERTO

A QUARESMA COMO ITINERÁRIO DE CONVERSÃO: SINAIS, SILÊNCIO E PEDAGOGIA LITÚRGICA DO DESERTO 

 

Pe. Washington Paranhos, SJ. 

 

No dia 18 de fevereiro, Quarta-feira de Cinzas, começa a Quaresma. É o “tempo forte” que prepara para a Páscoa, ápice do Ano Litúrgico e da vida de cada cristão. Como diz São Paulo, é “o momento favorável” para realizar “um caminho de verdadeira conversão” para que, “auxiliados pela penitência, sejamos fortalecidos no combate contra o espírito do mal”, como reza a oração da coleta no início da Missa de Quarta-feira de Cinzas.

Este itinerário de quarenta dias que conduz ao Tríduo Pascal – memória da paixão, morte e ressurreição do Senhor, coração do mistério da Salvação – é um tempo de mudança interior e de arrependimento no qual “o cristão é chamado a voltar para Deus ‘de todo o coração’, para não se contentar com uma vida medíocre”, recordava o Papa Francisco na sua Mensagem para a Quaresma de 2017.

 

O Simbolismo dos quarenta dias: o deserto como pedagogia de Deus

Na liturgia, fala-se de Quadragesima, ou seja, um tempo de quarenta dias. A Quaresma traz à mente os quarenta dias de jejum vividos pelo Senhor no deserto antes de iniciar a sua missão pública. Lê-se no Evangelho de Mateus: “Então, Jesus foi conduzido ao deserto pelo Espírito, para ser tentado pelo diabo. Tendo jejuado durante quarenta dias e quarenta noites, teve fome” (Mt 4,1-2).

Quarenta é o número simbólico com o qual o Antigo e o Novo Testamento representam os momentos marcantes da experiência de fé do povo de Deus. É um algarismo que exprime o tempo da espera, da purificação, do retorno ao Senhor e da consciência de que Deus é fiel às suas promessas. No Antigo Testamento, são quarenta os dias do dilúvio universal, quarenta os dias passados por Moisés no monte Sinai, quarenta os anos em que o povo de Israel peregrina no deserto antes de chegar à Terra Prometida, quarenta os dias de caminhada do profeta Elias para chegar ao monte Horebe e quarenta os dias que Deus concede a Nínive para se converter após a pregação de Jonas.

Nos Evangelhos, são também quarenta os dias durante os quais Jesus ressuscitado instrui os seus discípulos, antes de ascender ao céu e enviar o Espírito Santo. Voltando à Quaresma, ela é um “acompanhar Jesus que sobe a Jerusalém, lugar do cumprimento do seu mistério de paixão, morte e ressurreição, e recorda que a vida cristã é uma ‘via’ a percorrer, consistindo não tanto em uma lei a observar, mas na própria pessoa de Cristo, a ser encontrada, acolhida e seguida”, explicou Bento XVI em 2011.

 

A contagem dos dias

Já no século IV, existia uma Quaresma de 40 dias, contados retroativamente a partir da Sexta-feira Santa até o primeiro domingo da Quaresma. Com a perda da unidade do Tríduo Pascal original (no século VI), a Quaresma passou a ter 42 dias, incluindo a Sexta-feira Santa e o Sábado Santo.

Gregório Magno considerou incorreto tratar as seis manhãs de domingo (incluindo o Domingo de Ramos) como dias penitenciais. Portanto, para obter os 40 dias – que, sem os domingos, totalizariam apenas 36 –, ele antecipou, para o rito romano, o início da Quaresma para a quarta-feira (que viria a se tornar a “Quarta-feira de Cinzas”).

Atualmente, a Quaresma termina com a Missa da Ceia do Senhor, na Quinta-feira Santa. Contudo, para se chegar ao número 40, excluindo-se os domingos, é necessário – como no tempo de Gregório Magno – contabilizar também o Tríduo Pascal.

 

As Cinzas e a condição humana: fragilidade, memória e esperança

A Quarta-feira de Cinzas é dia de jejum e abstinência de carne (assim como a Sexta-feira Santa, enquanto nas demais sextas-feiras da Quaresma somos convidados à abstinência de carne). Como recorda o Prefácio da Quaresma IV, pelo jejum quaresmal o Senhor “corrigis nossos vícios, elevais nosso espírito, e nos dais força e recompensa”.

Durante a celebração da Quarta-feira de Cinzas, o sacerdote espalha uma pitada de cinza benta sobre a cabeça ou a fronte. Segundo o costume, a cinza é obtida queimando-se os ramos de oliveira (ou palmas) bentos no Domingo de Ramos do ano anterior. A cinza imposta sobre a cabeça é um sinal que recorda a nossa condição de criaturas e exorta à penitência.

Ao receber as cinzas, o convite à conversão é expresso por uma dupla fórmula: “Convertei-vos e crede no Evangelho” ou “Lembra-te que és pó e ao pó hás de voltar”. O primeiro apelo é para a conversão, que significa mudar a direção no caminho da vida e ir contra a corrente (onde a “corrente” é o estilo de vida superficial, incoerente e ilusório).

A segunda fórmula remete ao início da história humana, quando o Senhor disse a Adão após a culpa original: “Com o suor do teu rosto comerás o teu pão, até que voltes à terra, pois dela foste tirado; porque tu és pó e ao pó voltarás!” (Gn 3,19). A palavra de Deus evoca a fragilidade, ou melhor, a morte, que é a sua forma extrema. Mas, se o ser humano é pó, é um pó precioso aos olhos do Senhor, porque Deus criou o ser humano destinando-o à imortalidade.

 

A pedagogia do silêncio: o Rito Ambrosiano e a ausência da Eucaristia

Diferente do Rito Romano, a Quaresma no Rito Ambrosiano não se inicia na quarta-feira, mas no primeiro domingo da Quaresma (que, em 2026, será no dia 22 de fevereiro). É nesta celebração dominical que ocorre a imposição das cinzas, preservando a contagem rigorosa de quarenta dias ininterruptos até a Quinta-feira Santa.

A particularidade mais profunda deste rito reside nas chamadas sextas-feiras “alitúrgicas” (feriae aliturgicae). Nestes dias, a Igreja de Milão vive o que os teólogos chamam de “jejum eucarístico total”. Como ensinava São Carlos Borromeu, a ausência da Missa não é uma falta, mas uma forma de “sentir a fome de Cristo”, recordando o tempo em que o Esposo foi tirado (cf. Mt 9,15).

Giovanni Battista Montini (Papa Paulo VI), quando era Arcebispo de Milão, explicou que esta prática leva o cristão ao “confine dello spavento” (limiar do espanto), fazendo-o experimentar a perda do Deus vivo para melhor valorizar a Sua presença.

A experiência visual e espiritual é impactante:

  • O Altar despojado: quem entra em uma igreja ambrosiana nestas sextas-feiras encontra o altar-mor vazio, sem toalhas ou velas. Sobre ele, repousa apenas uma grande cruz de madeira adornada com um sudário branco. Este pano não é apenas um adereço, mas um símbolo do corpo de Cristo que foi baixado da cruz e da solidão do Calvário.
  • O sentido do vazio: Durante todo o dia, não se celebra a Eucaristia e não se distribui a comunhão (exceto em caso de viático para doentes graves). O silêncio litúrgico proclama que aquele é um dia de luto e penitência estrita.

Esta tradição nos ensina que a Eucaristia é um dom tão grandioso que, às vezes, é preciso experimentar a sua ausência para redescobrir o seu valor. Como explicava o Cardeal Giovanni Colombo, antigo Arcebispo de Milão: “Na sexta-feira ambrosiana, a Igreja não fala através de palavras ou ritos, mas através do silêncio da Cruz, convidando o fiel a um encontro nu e cru com o Redentor”.

 

As práticas quaresmais: jejum, esmola e oração como dinamismo de conversão

O jejum, a esmola e a oração são os sinais – ou melhor, as práticas – da Quaresma. O jejumsignifica a abstinência de alimento, mas compreende outras formas de privação para uma vida mais sóbria.

jejum está, então, ligado à esmola. São Leão Magno ensinava em um de seus sermões sobre a Quaresma: “O que cada cristão é obrigado a fazer em todos os tempos, deve agora praticar com maior solicitude e devoção, para que se cumpra a norma apostólica do jejum quaresmal, que consiste na abstinência não apenas de alimentos, mas também, e sobretudo, dos pecados. A estes piedosos e santos jejuns, nenhuma obra se pode associar mais utilmente do que a esmola, a qual, sob o nome único de ‘misericórdia’, abrange muitas obras boas” [Sermão 44 (Sobre a Quaresma, VI), 2]. Assim, o jejum é santificado pelas virtudes que o acompanham, especialmente pela caridade e por cada gesto de generosidade que doa aos pobres e necessitados o fruto de uma privação. Não é por acaso que, nas dioceses e paróquias, são promovidas as “Quaresmas de fraternidade e caridade” para estar ao lado dos últimos.

A Quaresma, além disso, é um tempo privilegiado para a oração. Santo Agostinho diz que o jejum e a esmola são “as duas asas da oração”, que lhe permitem ganhar impulso mais facilmente e chegar até Deus [Sermão 206 (Sobre a Quaresma), 3.]. E São João Crisóstomo exorta: “Adorna a tua casa com modéstia e humildade através da prática da oração. Assim preparas para o Senhor uma morada digna; assim o acolhes em um esplêndido palácio” [Homilia sobre a Oração, II].

 

A Quaresma como itinerário batismal

Desde sempre, a Igreja associa a Vigília Pascal à celebração do Batismo: nele se realiza aquele grande mistério pelo qual o homem, morto para o pecado, torna-se participante da vida nova em Cristo Ressuscitado e recebe o Espírito de Deus, que ressuscitou Jesus dentre os mortos.

Desde os primeiros séculos da vida da Igreja, a Quaresma era o tempo em que aqueles que tinham ouvido e acolhido o anúncio de Cristo iniciavam, passo a passo, o seu caminho de fé para chegarem a receber o Batismo na Páscoa. Posteriormente, também os penitentes e, depois, todos os fiéis foram convidados a viver este itinerário de renovação espiritual, para conformar cada vez mais a própria existência a Cristo.

Nas manhãs de domingo da Quaresma – de modo muito especial neste Ano Litúrgico do Ciclo A – somos convidados a viver um itinerário batismal, como que a percorrer novamente o caminho dos catecúmenos (aqueles que se preparam para receber o Batismo), para que a existência de cada um recupere os compromissos deste Sacramento, que é a base da vida cristã.

 

A liturgia

Assim como no Advento, também na Quaresma a liturgia propõe alguns sinais que, em sua simplicidade, ajudam a compreender melhor o significado deste tempo. Como já ocorre nas semanas que precedem o Natal, na Quaresma os paramentos litúrgicos do sacerdote mudam para a cor roxa, cor que convida a um sincero caminho de conversão. Durante as celebrações, além disso, não encontramos mais flores a ornamentar o altar, não rezamos o “Glória” e não cantamos o “Aleluia”.

 

As leituras das Missas dominicais

Neste Ano Litúrgico (Ciclo A), o primeiro domingo da Quaresma é chamado de Domingo da Tentação, pois apresenta as tentações de Jesus no deserto (Mt 4,1-11). Neste domingo, a Igreja celebra a eleição daqueles que são admitidos aos Sacramentos pascais. O segundo domingo é dito de Abraão e da Transfiguração, pois, como Abraão, pai dos crentes, somos convidados a partir, e o Evangelho narra a transfiguração de Cristo, o Filho amado (Mt 17,1-9).

O terceiro domingo nos faz encontrar a Samaritana (Jo 4,5-42): Jesus, como diz à mulher, tem uma água de vida que sacia toda sede. A Igreja, neste domingo, celebra o primeiro escrutínio dos catecúmenos e, durante a semana, entrega-lhes o Símbolo: a Profissão de Fé, o Credo. O quarto domingo nos faz refletir sobre a experiência do “cego de nascença” (Jo 9,1-41) para nos exortar a libertarmo-nos das trevas do mal e a receber a luz de Cristo para vivermos como filhos da luz. O quinto domingo apresenta a ressurreição de Lázaro (Jo 11,1-45), e aos catecúmenos é entregue a oração do Senhor: o Pai-Nosso. Por fim, há o Domingo de Ramos, no qual se faz memória da entrada de Jesus em Jerusalém e durante o qual é lida a Paixão de Cristo.

Assim, a Quaresma não é apenas penitencial; é eminentemente mistagógica. Ela reconduz todos os fiéis à fonte batismal, reavivando a identidade pascal recebida.

 

Conversão no mundo contemporâneo: escuta, linguagem e cultura digital

A mensagem do Papa Leão XIV para a Quaresma de 2026 apresenta-se como um roteiro prático para a conversão do coração em um mundo saturado de ruídos. Ao definir a Quaresma como o tempo de “recolocar o mistério de Deus no centro”, o Pontífice nos recorda que o deserto quaresmal não é um lugar de vazio, mas de encontro. Ele propõe um itinerário fundamentado em dois pilares bíblicos e ancestrais: a escuta e o jejum, interligados pela necessidade de redescobrir o próximo. Esta mensagem se desenvolve em três dimensões complementares que buscam transformar a nossa relação com Deus, conosco mesmos e com a comunidade.

A primeira dimensão aborda a escuta como uma atitude de libertação, ensinando que este não é apenas um ato auditivo, mas uma disposição do espírito. Esta escuta promove uma abertura a Deus, onde a Palavra na liturgia nos educa, e uma abertura ao pobre. Citando o Êxodo, Leão XIV lembra que Deus ouviu o clamor de seu povo no Egito; da mesma forma, somos chamados a ouvir o “clamor dos oprimidos”, reconhecendo que a pobreza é um grito que deve interpelar a política, a economia e, sobretudo, a Igreja.

Na segunda dimensão, o Pontífice traz uma abordagem inovadora ao tratar o jejum como disciplina do desejo e da língua. O jejum físico deve servir para discernir o que é essencial, alimentando uma “fome de justiça” que dilata a alma. Paralelamente, o Papa faz um apelo contundente para “desarmar a linguagem”, propondo uma abstinência de julgamentos, calúnias e palavras mordazes, especialmente no ambiente digital, para que o ódio seja substituído por palavras de esperança e gentileza.

Por fim, a mensagem enfatiza a dimensão comunitária da conversão, reforçando que este não é um projeto isolado. Leão XIV destaca que paróquias e famílias devem caminhar juntas, para que a escuta e o jejum coletivos transformem o “estilo das relações” e criem comunidades que sejam verdadeiras “civilizações do amor”. Em suma, o convite de 2026 é para a sensibilidade, pedindo a graça de ouvidos mais atentos e línguas mais castas. O fruto esperado não é apenas o cumprimento de um preceito, mas uma mudança concreta na forma como tratamos “os últimos”, permitindo que a Páscoa floresça em comunidades mais humanas, justas e reconciliadas.

 

Para além do preceito: interioridade e autenticidade penitencial

Embora a Quaresma pascal seja o único “tempo forte” litúrgico oficial de preparação para a Páscoa, a piedade popular e a história da Igreja preservaram outras “quaresmas” que funcionam como momentos devocionais de aprofundamento espiritual. Entre elas, destaca-se a Quaresma de São Miguel Arcanjo, um período de quarenta dias de jejum e oração iniciado por São Francisco de Assis entre a Assunção de Maria e a festa dos Arcanjos. Historicamente, também se conheceu a Quaresma de São Martinho, ou Advento Medieval, que antecipava o Natal com quarenta dias de penitência a partir de 11 de novembro. O próprio São Francisco de Assis, em sua busca incessante pela conformidade com Cristo, costumava realizar até quatro desses períodos de recolhimento ao longo do ano.

Contudo, a existência dessas múltiplas oportunidades de sacrifício traz consigo um alerta necessário sobre a natureza da verdadeira conversão. Como recordava Bento XVI, a vida cristã não consiste em uma lei a ser observada, mas na própria pessoa de Jesus a ser encontrada e seguida. Existe o risco de o fiel se perder em um ativismo devocional, impondo-se sacrifícios heroicos, como jejuns rigorosos ou o despertar às 4h00 da manhã para recitar rosários, sem que isso toque o cerne de sua mudança interior. Se essas práticas não resultarem em um abandono da “vida medíocre” ou de um “estilo de vida superficial”, elas tornam-se apenas um esforço humano vazio.

A verdadeira penitência, como ensina o Papa Leão XIV na sua mensagem para 2026, exige que o deserto quaresmal não seja um lugar de exibicionismo religioso, mas de encontro e escuta. De nada vale a privação do sono ou do alimento se não houver o “jejum de palavras”, que consiste em desarmar a linguagem, renunciar aos julgamentos e às calúnias que poluem o ambiente digital e as relações humanas. O sacrifício externo deve ser a “asa” que impulsiona a oração para chegar a Deus, mas essa oração só alcança o seu destino se for acompanhada pela caridade e pela atenção ao “clamor dos oprimidos”.

Portanto, a compreensão profunda da Quaresma nos convida a substituir o orgulho do preceito cumprido pela humildade da escuta. Mais do que acumular devoções, o cristão é chamado a um “encontro nu e cru com o Redentor”, onde o silêncio da Cruz pesa mais do que a multiplicação de fórmulas exteriores. O fruto esperado de qualquer tempo de penitência – seja ele litúrgico ou devocional – deve ser sempre uma mudança concreta na forma como tratamos os últimos, permitindo que a Páscoa floresça em comunidades verdadeiramente reconciliadas.

Quando devoções particulares ocupam o lugar da pedagogia litúrgica, corre-se o risco de fragmentar a experiência cristã. A centralidade do Mistério Pascal – coração da fé – não pode ser relativizada por práticas opcionais.

A crítica, portanto, não é à existência dessas devoções, mas ao deslocamento da centralidade eclesial. A Quaresma não é uma entre muitas propostas espirituais; ela é o grande caminho da Igreja rumo à Páscoa.

Se o fiel se impõe sacrifícios rigorosos, mas não participa intensamente do itinerário litúrgico – não celebra os domingos quaresmais, não se deixa conduzir pelas leituras, não se reconcilia sacramentalmente – a prática perde sua densidade eclesial.

A conversão cristã é sempre eclesial e pascal.

 

Conclusão

A Quaresma revela-se não como um período de proibições, mas como um “itinerário de quarenta dias” voltado à recuperação da dignidade batismal e à proximidade com Deus. Seja através da vivência celebrativa do Rito Romano ou da particularidade do Rito Ambrosiano – que nos ensina o valor da Eucaristia pela sua ausência – o objetivo central permanece o mesmo: a conversão profunda.

Como enfatizado pela mensagem do Papa para 2026 e pelos ensinamentos dos santos, as práticas externas de jejum, esmola e oração são “as duas asas” que elevam o espírito, mas perdem o sentido se não resultarem em uma “civilização do amor”. O verdadeiro fruto deste tempo favorável não é o acúmulo de práticas ascéticas, mas a configuração pascal da existência. Ao final do itinerário, a Páscoa deve florescer não apenas na celebração litúrgica, mas na vida reconciliada da comunidade.

A verdadeira Quaresma culmina quando o silêncio da Cruz ensina a escutar, quando o jejum se converte em justiça e quando o Batismo reaparece como forma concreta de viver segundo Cristo.

 

 

 

 

 

 

 
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