A Adoração da santa Cruz no rito romano à prova da ars celebrandi: da linguagem ritual não-verbal à teologia litúrgica.

A Adoração da santa Cruz no rito romano à prova da ars celebrandi: da linguagem ritual não-verbal à teologia litúrgica.

Marques de Oliveira.
(amo.cssr@hotmail.com)

Em outubro de 2010, a revista Psychological Science da Association for Psychological Science (APS), publicou um artigo intitulado “Power Posing: brief nonverbal displays affect neuroendocrine levels and risk tolerance”  (Postura de poder: breves demonstrações não-verbais afetam os níveis neuroendócrinos e a tolerância ao risco) de Amy Cuddy (Universidade de Harward), Dana R. Carney (Columbia University) e Andy J. Yap (Columbia University). Esse estudo mostrou como a nossa postura e gestos podem não só influenciar a percepção dos outros sobre nós, mas até mesmo alterar a nossa própria química cerebral, aumentando a confiança. Além disso, constatou-se que não mais que 35% do conteúdo de uma conversa é transmitido por palavras, e desses 35% importa muito o modo como se fala, não somente o que se fala.
Cipriano, na obra De dominica oratione, no capítulo 4, afirma que:

aqueles que rezam aceitem as normas que regulam a oração e sejam calmos e corretos. Pensem de se encontrarem à presença de Deus, pois devemos ser agradáveis aos seus olhos também no comportamento do corpo e na tonalidade da voz .

A Conferência Episcopal Italiana, na apresentação da 3ª edição do Missal Romano, afirma que: “A autêntica ars celebrandi não pode prescindir do modelo ritual proposto pelo livro litúrgico” . O Papa Bento XVI, na Exortação Apostólica pós-sinodal Sacramentum Caritatis, no nº 40 afirma que

A ars celebrandi deve favorecer o sentido do sagrado e a utilização das formas exteriores que educam a tal sentido. Além disso, importante para uma justa ars celebrandi é a atenção para todas as formas de linguagem previstas pela liturgia: palavra e canto, gestos e silêncio, movimento do corpo e cores litúrgicas .

Diante disso, da relação entre a ars celebrandi e as formas de linguagem, este artigo buscará analisar a linguagem não verbal do rito da Adoração da santa Cruz, como aparece na 3ª edição típica do Missal Romano. O método para tal empreendimento foi a investigação das fontes litúrgicas do rito e do seu fundamento antropológico, bíblico e teológico. Veremos como a linguagem não verbal não é uma expressão de sentimentalismo ou um adorno secundário diante da primazia dos textos. Com isso, quer-se recuperar a riqueza do significado do código não verbal da Adoração da santa Cruz na Celebração da Paixão na Sexta-feira Santa para oferecê-lo a toda a comunidade celebrante.

1. Evolução histórica do rito
O relato de Egéria  (fim do século IV) oferece um testemunho precioso sobre esse rito em Jerusalém. Na manhã da Sexta-feira Santa realizava-se a adoração do lignum crucis e à tarde o ofício da Paixão com leituras e orações. O local das celebrações coincidia também com os lugares santos, conferindo-lhes valor simbólico.
Em Roma, até o século VII não há testemunho de um rito próprio para a Sexta-feira Santa. A introdução da Adoração da santa Cruz ocorreu por influência oriental dos papas . O Ordo Romanus XXIII  descreve uma procissão com a relíquia da Cruz, a adoração por parte do Papa, seguida da liturgia da Palavra e da adoração feita pelos demais participantes. Aos poucos, a veneração da relíquia foi adaptada para a veneração de uma Cruz nas igrejas paroquiais (Tituli). 
Nos Pontificais medievais (séculos X a XIII)  o rito da Adoração da Cruz se estabiliza com elementos novos como o desvelamento progressivo e a comunhão com a reserva eucarística da Quinta-feira Santa. 
No século XVI, o Missal Romano promulgado por Pio V herdou dos Ordines Romani e dos Pontificais medievais os costumes do presidente retirar a casula e os sapatos, bem como de velar e desvelar gradualmente a Cruz, sendo adorada com três genuflexões e o beijo . 
A reforma da Semana Santa de Pio XII  em 1955 buscou restaurar os elementos primevos das celebrações, a participação ativa dos fiéis e a autenticidade das fontes litúrgicas. Aqui aparece, pela primeira vez em um livro litúrgico oficial, que a Cruz a ser adorada deve ter a imagem do Crucificado e se deve beijar os seus pés . 
Finalmente, o Missal Romano promulgado após o Concílio Vaticano II por Paulo VI  não fez significativas mudanças nas celebrações do tríduo pascal, pois Pio XII já havia feito uma grande reforma , e assim permaneceu em suas três edições típicas. Então, na terceira edição, indicou-se somente que o véu a ser usado deveria ser de cor roxa e adotou-se o gesto facultativo da deposição da casula e dos sapatos por parte do presidente para a adoração , remetendo aos costumes relatados em alguns Ordines Romani que, depois da reforma pós-conciliar, foi introduzida também na liturgia pontifical .

2. Códigos não-verbais do rito da Adoração da santa Cruz
Analisaremos a seguir o rito da Adoração da santa Cruz da Celebração da Paixão do Senhor da Sexta-feira Santa, mostrando como a linguagem não verbal, com seus gestos e objetos, comunica a profundidade do mistério celebrado. Embora as palavras e os textos sejam relevantes, é através da ação ritual como um todo - codificada simbolicamente - que a Igreja torna presente o mistério pascal de Cristo. Para esta análise nos basearemos em três perspectivas: antropológica, bíblica e litúrgica.

2.1. Procissão
O rito da Adoração começa com a procissão com a Cruz, que pode sair da sacristia (forma prior) ou da porta da igreja  (forma altera), espaços limiares entre o profano e o sagrado . O Ritual de Bênçãos recorda que “em algumas celebrações litúrgicas, como no Batismo, no Matrimônio e nas Exéquias, os fiéis são recebidos à porta da igreja” .

2.2. Desvelamento
O véu roxo cobre a Cruz na procissão, que vai sendo desvelada  progressivamente em três etapas com a antífona “Ecce lignum crucis”. Ele vela para revelar. Essa dinâmica simboliza o mistério progressivamente revelado na Paixão. Historicamente, na liturgia romana, o velamento aparece mencionado pela primeira vez no Pontifical Romano do séc. XII . Todavia, na liturgia galicana é mencionado já no séc. IX, no Ordo Romanus XXXI (nº 46) .

2.3. A Cruz
A Cruz é um símbolo arquetípico universal, presente em muitas culturas antigas. Sobre a datação da mais antiga representação cristã da Cruz que se tenha notícia até o momento, uma das conjecturas é uma inscrição datada por volta de 136 d.C., achada na antiga cidade de Palmira, na Síria, na qual aparecem dois sinais “X” separando um texto siríaco de uma datação. Os especialistas consideram que não seja um sinal gráfico, mas um símbolo da Cruz, utilizando a primeira letra grega da palavra χριστός. Outras inscrições antigas da Cruz são as encontradas em Dura Europos (séc. III) . 
No ocidente, a epígrafe de Rufina Irene, séc. II-III, proveniente da catacumba de São Calisto, na qual traz o seu nome e logo abaixo uma Cruzcom os quatros braços da mesma dimensão , é considerada uma das representações explícitas mais antigas.
Já as mais antigas representações do Crucificado conhecidas são um jaspe vermelho na qual ele é ladeado por duas pessoas em gesto de adoração, uma cornalina que se encontra no Museu Britânico no qual há Cristo ladeado pelos doze apóstolos (séc. II-III); a sátira blasfema do grafite de Alexameno, encontrado no Pedagogium, no Palatino (séc. III) e a porta da Basílica de Santa Sabina (séc. V) .
No rito da Adoração da santa Cruz, a sua representação mudou da relíquia ao objeto. Amalário de Metz (séc. VIII-IX) atesta o desejo dos romanos em venerar o lignum crucis, todavia, na ausência da relíquia, a devoção se manifestou na confecção de réplicas, inicialmente despojadas de representações figuradas . 
Durante a reforma litúrgica desejada pelo Concílio Vaticano II essa questão foi discutida pelo Coetus 17. Um dos seus membros, Rinaldo Falsini, atesta que houve a necessidade de poucas modificações na celebração, mas confessa a infelicidade do costume de substituição da Cruz pelo Crucificado  e, assim, nas edições dos Missais da reforma do Concílio Vaticano II tal menção (pedes Crucifixi osculantur) foi retirada. Adrien Nocent, outro membro do referido Coetus, considera que a veneração da Sexta-feira Santa não se refere a Jesus crucificado . Na Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém a Adoração da santa Cruz na Sexta-feira Santa continua sendo realizada com o lignum crucis .

2.4. Retirar a casula e os sapatos
O presidente da celebração, ao aproximar-se da Cruzpara adorá-la, pode retirar a casula e os sapatos . Biblicamente, o gesto de tirar os sapatos está fundamentado na indicação que recebeu Moisés ao se aproximar da sarça ardente (cf. Ex 3,5) como lugar sagrado. Liturgicamente, refere-se ao testemunho romano mais antigo deste rito, o Ordo Romanus XXIII, o qual descreve que o papa vai descalço à frente da procissão que porta a relíquia da santa Cruz . Retirar a casula simboliza o despojamento diante do mistério e a total entrega do ministro ao ato de adoração. Em 1Sm 19,24, quando o espírito de Deus se apodera de Saul, ele o força a se despojar de suas vestes reais. 

2.5. Beijar a Cruz
O beijo é o gesto mais conhecido para a adoração da Cruz. Todos os livros litúrgicos, desde o Ordo Romanus XXIII ao Missal Romano atual atestam o seu uso. Além da celebração da Sexta-feira Santa, a adoração à Cruz com um beijo é também realizada na bênção de uma nova Cruz destinada à veneração pública e na entrada do bispo em sua igreja .
Nas Sagradas Escrituras a ação de beijar é vastamente documentada, exprimindo uma grande variedade de sentimentos e significados . Uma das palavras utilizadas em grego para o verbo beijar é κυνέω, que dá origem ao verbo προσκυνέω (adorar) . Entretanto, somente o beijo santo é considerado por alguns autores como um beijo litúrgico .

3. Perspectivas desde a teologia litúrgica
Nossa reflexão será desenvolvida a partir dos dois momentos rituais: a ostensio e a adoratio. Um dos seus pontos centrais é a relação simbólica entre o lenho da Cruz e a árvore da vida. A tradição patrística recorreu frequentemente a essa imagem para expressar a inversão operada por Cristo: o que foi perdido por Adão ao tomar do fruto da árvore foi restaurado por Cristo ao entregar a vida no lenho da Cruz.

3.1. A “ostensio”
A ostensio, apresentação solene da Cruz à assembleia, expressa o retorno da humanidade ao centro da história salvífica. A Cruz que percorre o corredor central da igreja até o presbitério é figura da árvore plantada novamente no centro do novo paraíso - a Igreja. 
Em uma homilia Sobre a Paixão atribuída ao Anônimo Quartodecimano (séc. II), encontra-se o mais antigo testemunho da Cruz como nova árvore da vida . Ela é comparada à escada de Jacó (Gn 28,12-15), que com suas extremidades toca o céu e a terra; dela o homem pode colher, agora livremente, os frutos destinados a ele desde a origem, pois aquilo que Israel não pôde comer, agora os cristãos podem comer e, comendo, não morrerão .
Santo André de Creta, no discurso intitulado In venerabilem pretiosae et vivificae crucis Exaltationem, elucidou que a Cruz de Cristo é o fulcro da redenção e salvação da humanidade, o meio de elevação que eliminou o pecado e reconciliou a humanidade com Deus. Sem a Cruz, Cristo não teria sido crucificado, as fontes da imortalidade, o sangue e a água, não teriam fluído do seu lado, a escritura do pecado não teria sido destruída, o ser humano não teria desfrutado da árvore da vida, o paraíso não teria sido aberto, a espada não teria sido retirada do caminho do Éden e o paraíso não teria sido novamente habitado .
Além dos textos patrísticos e medievais, a relação Cruz e árvore da vida também aparece em alguns livros litúrgicos. No Sacramentário Gelasiano, no formulário In exaltatione Sanctae Crucis - XVIII kalendas octobris, na oração 1024, pede-se que, por meio da fé no lenho da Cruz de Cristo seja aberto novamente aquilo que havia sido fechado por meio da presunção de Adão ao comer da árvore do paraíso, a salvação . No Suplemento do Sacramentário Gregoriano há um prefácio (n. 1609) no qual aparece clara a antítese entre a Cruz e a árvore do paraíso. O texto da oração pede a Deus que pela árvore da Cruz se retorne às alegrias do paraíso e o gosto amargo da antiga árvore seja remediado pela árvore da Cruz .
Esse tema também é de interesse contemporâneo. Louis Bouyer escreveu sobre a teologia dos três últimos dias da Semana Santa na sua obra Le Mystère Pascal. Ao dissertar sobre a Sexta-feira Santa, dedica um capítulo inteiro ao rito de Adoração da Cruz e faz uma correspondência com a árvore da vida. Para ele, o rito remonta à história da humanidade inscrita entre o jardim do Éden e o Calvário, entre o Gênesis e o Apocalipse .
Significativamente relativo à ação ritual de apresentação da Cruz (ostensio) na Sexta-feira Santa, o professor Silvano Maggiani, um dos colaboradores da obra Celebrare l’unità del triduo pasquale, no volume 2, atesta que aquela apresentação solene da santa Cruz é a reapresentação da árvore da vida com seu fruto de imortalidade .

3.2. A “adoratio”
A segunda parte do rito da Adoração da santa Cruz compõe-se de uma procissão da assembleia em direção à Cruz já colocada à entrada do presbitério, ladeada pelas duas velas acesas, na qual a comunidade celebrante exprime a sua adoração com um gesto apropriado, por exemplo, o beijo. Enquanto isso, cantam-se a antífona Crucem tuam, os Impropérios, o hino Pange lingua com a antífona Crux fidelis, em honra da árvore da Cruz.
São João Crisóstomo, na obra De providentia Dei, no capítulo XVII afirma que o ser humano não precisa ficar espantado com a morte de Cruz, pois Cristo mesmo a chamou de glória (cf. Jo 12,23-24) e São Paulo se gloriava somente dela (cf. Gl 6,14). O autor interpreta o sinal do Filho do Homem que aparecerá no céu, de Mt 24,30, como sendo a santa Cruz que brilhará mais que o sol, mostrando todo o seu fulgor e sua glória. Ela, a Cruz, será o sinal de quando Cristo virá, na glória de seu Pai .
Há também um hino do Ofício da Igreja siro-oriental (uma sughiata) que mostra um diálogo entre o ladrão arrependido e o querubim às portas do paraíso. Após uma longa conversa, para ter acesso ao paraíso o ladrão teve que apresentar o sinal que Cristo lhe deu, a Cruz . O ir do ladrão às portas do paraíso com a santa Cruz é liturgicamente atualizado toda Sexta-feira Santa quando a assembleia vai até a cruz para adorá-la e ter acesso ao paraíso.

4. Algumas questões
Ao finalizar esta investigação que teve como fruto este artigo, surgem algumas questões sobre as opções rituais que a liturgia apresenta. Como escolher a forma da ostensio: cruz velada da sacristia ou desvelada da porta? A cruz deve portar a imagem de Cristo crucificado? Se sim, como deve ser essa imagem, enaltecendo o sofrimento que Cristo padeceu ou a vitória gloriosa que Ele conquistou? Por que não recuperar o gesto de adoração descalço para toda a assembleia e não apenas ao presidente da celebração?
Outra questão que emerge é: qual é a melhor forma de comunhão com o mistério da Cruz, o beijo ou a comunhão eucarística? Patrick Prétot, em sua obra L’adoration de la Croix, afirmou que “a adoração da cruz revelou-se como uma mediação pela qual os cristãos do século IV comungavam do mistério da cruz” .

5. Conclusão
Em suma, se a lex orandi estabelece a lex credendi , o rito da Adoração da santa Cruz na Sexta-feira Santa reafirma que a fé cristã não se limita à formulação doutrinal, mas se exprime e se comunica através dos sinais sensíveis que estruturam a ação litúrgica. A pesquisa mostrou que a teologia litúrgica não pode focar somente nas orações, mas deve considerar também a análise dos elementos não-verbais, pois eles permitem que a celebração litúrgica seja memorial do mistério redentor. A Adoração da santa Cruz, quando celebrada com autêntica ars celebrandi, é um rito teofânico.


1  Cf. D.R. CARNEY-A.J.C. CUDDY-A.J. YAP, «Power Posing: Brief Nonverbal Displays Affect Neuroendocrine Levels and Risk Tolerance» Psychological Science 21, vol. 10 (2010) 1363–1368. [https://www.hbs.edu/faculty/Pages/item.aspx?num=37781]
 2.CYPRIANUS, De dominica oratione, edd. M. Simonetti-C. Moreschini (CCSL, 3A), Brepols, Turnholti 1976, 91. A tradução em português é nossa.
3. Messale Romano Riformato a norma dei Decreti del Concilio Ecumenico Vaticano II, promulgato da papa Paolo VI e riveduto da papa Giovanni Paolo II, 3ª edizione, Fondazione di Religione Santi Francesco d’Assisi e Caterina da Siena, Roma 2020, IX. A tradução em português é nossa.
4.  BENEDICTUS XVI, «Adhortatio Apostolica postsynodalis Sacramentum Caritatis (22 februarii 2007) 40», AAS 99 (2007) 137.
5. Cf. AETHERIA, Peregrinação de Egéria: uma narrativa de viagem aos lugares santos, ed. Maria Cristina Martins, EDUFU, Uberlândia 2017.
6.  Cf. H. SCHMIDT, Hebdomada Sancta, Volumen alterum – Sectio II, Herder, Romae-Friburgi Brisgoviae-Barcinone 1957, 791.
7. Cf. Les Ordines Romani du haut Moyen Age, vol. III: Les textes (suite) (Ordines XIX-XXXIV), ed. M. Andrieu (Spicilegium Sacrum Lovaniense. Études et documents, 24), Spicilegium sacrum lovaniense, Louvain 1951, 263-273.
 8. Cf. Le Pontifical Romano-Germanique du Dixième siècle, vol. II: Le Texte (NN. XCIX-CCLVIII), ed. C. Vogel-R. Elze (Studi e testi, 227), Biblioteca Apostolica Vaticana, Città del Vaticano 1963, 86-93. Le Pontifical Romain au Moyen-Âge, vol. I: Le Pontifical Romain du XIIe siècle, ed. M. Andrieu (Studi e testi, 86), Biblioteca Apostolica Vaticana, Città del Vaticano 1938, 234-237. Le Pontifical Romain au Moyen-Âge, vol. II: Le Pontifical de la Curie Romaine au XIIIe siècle, ed. M. Andrieu (Studi e testi, 87), Biblioteca Apostolica Vaticana, Città del Vaticano 1940, 464-469. Le Pontifical Romain au Moyen-Âge, vol. III: Le Pontifical de Guillaume Durand, ed. M. Andrieu (Studi e testi, 88), Biblioteca Apostolica Vaticana, Città del Vaticano 1940, 582-587.
9. Cf. Missale romanum: editio princeps (1570), edd. M. Sodi-A.M. Triacca (Monumenta liturgica Concilii Tridentini, 2), Libreria Editrice Vaticana, Città del Vaticano 22012, 240-253.
10.  Cf. N. GIAMPIETRO, «Il decreto Maxima Redemptionis e il rinnovo della Settimana Santa», Notitiae 483-484 (2006) 622-636.
11.  Cf. Ordo Hebdomadae Sanctae Instauratus, Editio Iuxta Typicam Vaticanam, Desclée, Tornaci-Romae-Parisiis-Neo Eboraci 1956, 81-105.
12. Cf. Missale Romanum ex decreto Sacrosancti Oecumenici Concilii Vaticani II instauratum auctoritate Pauli PP. VI promulgatum, Editio Typica, Città del Vaticano: Typis Poliglottis Vaticanis 1970, 256-262.
13.  Cf. R. FALSINI, «La Settimana Santa dalla riforma do Pio XII al Messale di Paolo VI», in Nel rinnovamento liturgico il passaggio dello Spirito. Saggi raccolti in occasione del 75º genetliaco dell’autore (BEL.S, 111), edd. E. Mazza-G.M. Compagnoni, CLV-Edizioni Liturgiche, Roma 2001, 359-375.
14.  Cf. Missale Romanum ex decreto Sacrosancti Oecumenici Concilii Vaticani II instauratum auctoritate Pauli PP. VI promulgatum Ioannis Pauli PP. II cura recognitum, Editio Typica Tertia Emendata, Città del Vaticano: Typis Vaticanis 2008, 323-329.
15.  Caeremoniale episcoporum ex decreto Sacrosancti Oecumenici Concilii Vaticani II instauratum auctaritate Ioannis Pauli PP. II promulgatum, Editio Typica, Città del Vaticano: Typis Poliglottis Vaticanis 1984, núm. 322.
16.  Cf. “Nas Sagradas Escrituras, a metáfora da porta caracteriza de alguma forma a história da salvação contida entre uma porta que se fecha no jardim do Éden por causa do pecado dos progenitores (cf. Gn 3,23-24) e a porta (portas) da Jerusalém celeste, aquela através da qual entraremos na alegria eterna (cf. Ap 4,1 e 21,12-13)”, P.P. JURA, «La porta della chiesa. Luogo liturgico trascurato», Liturgia Sacra 26 (2020) 95. A tradução em português é nossa.
17.  Cf. A.N. TERRIN, «La porta e il “passare attraverso la porta”. Un simbolo cultuale e spaziale di cambiamento e di trasformazione nella storia comparata delle religioni» Rivista Liturgica 86 (1999) 637.
18.  Rituale Romanum ex decreto Sacrosancti Oecumenici Concilii Vaticani II instauratum auctoritate Ioannis Pauli II promulgatum, De Benedictionibus 943, Editio Typica, Typis Vaticanis, Città del Vaticano 1984, 358.
19,.A razão para se começar a velar a cruz e desvelá-la na celebração da Sexta-feira Santa pode ser que, “numa época em que as cruzes, fossem elas ou não relicários, eram de metal precioso e incrustadas de pedras preciosas, velavam-se desde o início da quaresma ‘tanto para atenuar o brilho nestes dias de penitência como para a descobrir solenemente, revelá-la na sexta-feira santa’”, P. JOUNEL, «Le culte de la Croix dans la liturgie romaine», La Maison-Dieu 75 (1963) 84-85. A tradução em português é nossa.
20.  Le Pontifical Romain au Moyen-Âge, vol. I: Le Pontifical Romain du XIIe siècle, ed. M. Andrieu (Studi e testi, 86), Biblioteca Apostolica Vaticana, Città del Vaticano 1938, 236.
21.  Cf. Les Ordines Romani du haut Moyen Age, vol. III: Les textes (suite) (Ordines XIX-XXXIV), ed. M. Andrieu (Spicilegium Sacrum Lovaniense. Études et documents, 24), Spicilegium sacrum lovaniense, Louvain 1951, 498.
22.  Cf. Inscriptions Sémitiques (Syrie centrale), ed. M. Vogüe, J. Baudry, Paris 1868, 55. Cf. H. LECLERCQ, «Croix et crucifix», in Dictionnaire d’archéologie chrétienne et de liturgie, vol. 3/2, Letouzey, Paris 1914, 3048. Cf. P. GIGLIONI, La croce e il crocifisso nella tradizione e nell’arte, Libreria Editrice Vaticana, Città del Vaticano 2000, 36. Cf. N.M. DENIS-BOULET, «Les représentations de la croix dans l’antiquité chrétienne», La Maison-Dieu 75 (1963) 57-58. Cf. V. GROSSI, «Croce, crocifisso», in Nuovo dizionario patristico e di antichità cristiane, vol. 1: A-E, ed. A. Berardino, Marietti, Genova 22006, 1296.
23. Cf. LECLERCQ, «Croix et crucifix», 3056. Cf. C. CORTI, La croce nei primi quattro secoli – Dal buio alla luce, San Paolo, Cinisello Balsamo 2013, 15-16. Cf. GROSSI, «Croce, crocifisso», 1296.
24.  Cf. LECLERCQ, «Croix et crucifix», 3048-3052.3069-3070.
25.  Cf. AMALARIUS METENSIS, Amalarii Episcopi – Opera liturgica omnia, vol. II: Liber officialis, ed. I.M. Hanssens (Studi e testi, 139), Biblioteca Apostolica Vaticana, Città del Vaticano 1948, 102. (Citação convencional: Liber officialis, Livro I, Cap. XIV, nº 10)
26.  Cf. FALSINI, «La Settimana Santa dalla riforma do Pio XII al Messale di Paolo VI», 374.
27.  Cf. A. NOCENT, «La semaine sainte dans la liturgie romaine», in Hebdomadae sanctae celebratio – Conspectus historicus comparativus (BEL.S, 93), ed. A.G. Kollamparampil, CLV-Edizioni Liturgiche, Roma 1997, 297.
28.  Cf. Feria Sexta Hebdomadae Sanctae. Celebratio Passionis Domini in Basilica Resurrectionis Domini Jerosolymis 16, Franciscan Printing Press, Hierosolymis 1999, 77.
29..  Cf. J.A. GOÑI BEÁSOAIN DE PAULORENA, «Adorar la cruz descalzo y sin manto: un gesto sencillo pero muy significativo», Misa Dominical 54 (2022) 46.
30.  Cf. Les Ordines Romani du haut Moyen Age 9, vol. III, 270.
31.  Cf. J. PEREIRA, «Il bacio nel linguaggio del corpo come elemento di comunicazione nelle varie culture (dimensione antropologica e psicologica», Rivista Liturgica 101 (2014) 665.671.
32. Esaú e Jacó (cf. Gn 33,4); Aarão e Moisés (cf. Ex 4,27); Moisés e Jetro (cf. Ex 18,7); Orfa e sua sogra (cf. Rt 1,14); o filho pródigo e o seu pai (cf. Lc 15,20). De amizade: Davi e Jônatas (cf. 1Sm 20,41); enganador: Joab e Amasa (cf. 2Sm 20,9); Judas e Jesus (cf. Mt 26,48-49; Mc 14,44-45; Lc 22,48); de arrependimento (cf. Lc 7,38); o beijo santo, sinal da comunidade cristã (cf. 1Ts 5,26; 1Cor 16,20; 2Cor 13,12; Rm 16,16; 1Pd 5,14); adoração (cf. 1Rs 19,18 – aqueles que não adoraram Baal com o beijo; Jó 31,27).
33.  Cf. I. SCHINELLA, «Il bacio nella pietà popolare. Simbolo antropologico universale, non pagano», Rivista Liturgica 101 (2014) 802-803.
34.  Cf. R.C. GASCÓ, Beso humano y ósculo cristiano – Dimensiones histórico-teológicas del beso litúrgico, Edicep, Valencia 2003, 298. Cf. R.T. MAZZI, «Il bacio nell’Antico e nel Nuovo Testamento», Rivista Liturgica 101 (2014) 719-720.
35.  Cf. R. CANTALAMESSA, I più antichi testi Pasquali della Chiesa – Omelie di Melitone di Sardi e dell’Anonimo Quartodecimano e altri testi del II secolo, CLV-Edizioni Liturgiche, Roma 1972, 122, nota 82. A autoria destes textos já foi considerada de um Pseudo-Hipólito. Todavia, Raniero Cantalamessa, juntamente com outros estudiosos, prefere chamar o autor de Anônimo Quartodecimano. Cf. CANTALAMESSA, I più antichi testi Pasquali della Chiesa – Omelie di Melitone di Sardi e dell’Anonimo Quartodecimano e altri testi del II secolo, 12.
36.  Cf. Homélies Pascales, vol 1: Une homélie inspirée du traité sur la Paque d'Hippolyte, ed. P. Nautin (SCh, 27), Cerf, Paris 1950, 177-179.
37.  Cf. ANDREAS CRETENSIS, Oratio X, ed. J.-P. Migne (Patrologia Grega, 97), Migne, Parisiis 1865, 1020.
38. Cf. Liber Sacramentorum Romanae Aeclesiae Ordinis anni circuli (Sacramentarium Gelasianum), ed. L.C. Mohlberg (Rerum Ecclesiasticarum Documenta. Series Maior. Fontes 4), Herder, Roma 31981, 158.
39.  Cf. Le Sacramentaire Grégorien: ses principales formes d’après les plus anciens manuscrits, ed. J. Deshusses, Éditions Universitaires, Fribourg 21979, 530.
40.  “Todo este ofício da adoração da cruz é dominado por uma visão simbólica cujos traços fundamentais remontam até o Apocalipse. Para a imaginação antiga, a história inteira da humanidade decaída e elevada se inscrevia entre o Éden de onde o homem havia sido expulso após a queda e o paraíso onde Cristo entrou na noite da sexta-feira santa e onde introduziu consigo o bom ladrão. O Gênesis nos mostra o homem abandonando-se ao egoísmo rebelde de sua cobiça sob ‘a árvore da ciência do bem e do mal’. Trocando a inocência por esse conhecimento fatal, ele abandonava a amizade divina e as graças de imortalidade que a coroam para se perder sem retorno no deserto deste mundo, deserto onde a dominação diabólica envenenou e secou todas as fontes, obscureceu todas as luzes. O Apocalipse nos mostra, em contraste completo, às margens de um rio de águas claras como cristal, uma árvore que dá seus frutos em todos os tempos e cujas folhas servem para a cura das nações. É ‘a árvore da vida’ cuja espada dos querubins havia defendido a aproximação ao homem caído. Nessa árvore, os primeiros cristãos viram a Cruz. Daí o grandioso paralelo que a liturgia se compraz em desdobrar, entre a árvore na qual se colheu o gozo egoísta e que dá a morte, e esta outra, que carrega o sofrimento supremo, mas de onde jorra a vida eterna”, L. BOUYER, Le Mystère Pascal: méditation sur la liturgie des trois derniers jours de la Semaine Sainte, Cerf, Paris 41954, 334-335. A tradução em português é nossa.
41. “A imagem de verticalidade que sugere a árvore completa a imagem do fluxo vital: seiva para subir; salvação que faz ascender o homem a Deus, o diviniza. Esta subida é fecunda e reconduz a criatura à sua origem, à sua integridade do Éden. Mas o possível referimento da Árvore da Cruz à Árvore da vida do paraíso do Gênesis, ressalta que a vitalidade comunicada pela Cruz é a imortalidade. O comando divino, depois do pecado de Adão e Eva: ‘E agora que eles não estendam a sua mão e não tomem também da árvore da vida, para que não comam e vivam para sempre’ (Gn 3,23), é abolido pela obra do Filho de Deus e a imortalidade, fruto escatológico (Ap 2,7; 22,2) é novamente doada. Na sua dura realidade, a Cruz da Sexta-feira Santa é acolhida como Árvore da vida, que doa a vida sem fim”, S. MAGGIANI, «“Ecce lignum crucis”: la croce gloriosa», in Celebrare l’unità del triduo pasquale, vol. 2: Venerdì santo: la luce del Trafitto e il perdono del Messia, edd. A. Catella-G. Remondi, Elle Di Ci, Leumann (Torino) 1995, 156. A tradução em português é nossa.
42..  Cf. IOHANNES CHRYSOSTOMUS, De providentia Dei, ed. A.-M. Malingrey (SCh, 79), Cerf, Paris 1961, 230. (Citação convencional: De providentia Dei ou Ad eos qui scandalizati sunt, cap. XVII, 11-13)
43. Cf. F.A. PENNACCHIETTI, Il ladrone e il cherubino. Dramma liturgico cristiano orientale, Silvio Zamorani editore, Torino 1993.
44.  P. PRÉTOT, L’adoration de la Croix: Triduum pascal, Cerf, Paris 2014, 246.
45.  Cf. “[...] ut legem credendi lex statuat supplicandi”, PROSPERUS AQUITANUS, De gratia Dei et libero voluntatis arbitrio, ed. J.-P. Migne (Patrologia Latina, 51), Migne, Parisiis 1861, 209. (Citação convencional: cap. VIII). Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral, edd. H. Denzinger-P. Hünermann, Paulinas-Loyola, São Paulo 32007, 94. (Citação convencional: DH 246)

 
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